A APORMED – Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos apoiou a 2.ª edição do Fórum de Inovação e Tecnologia em Saúde (FITS) 2024, uma iniciativa promovida pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Este Fórum teve como objetivo fomentar a discussão sobre a gestão de dispositivos médicos, incentivando a partilha de boas práticas e a procura de soluções conjuntas para alcançar os mais elevados padrões de excelência, qualidade e sustentabilidade na prestação de cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde.
O evento teve início com o discurso de abertura de Xavier Barreto, presidente da APAH, seguido da Antonieta Lucas, presidente da APORMED. “É com enorme orgulho que a APORMED apoia o FITS 2024, uma iniciativa crucial para impulsionar a inovação e garantir a excelência na gestão de dispositivos médicos, contribuindo diretamente para a qualidade e sustentabilidade dos cuidados de saúde em Portugal”, começou por dizer Antonieta Lucas.
Um dos momentos mais esperados do encontro foi a apresentação dos resultados do 1.º Índex Nacional de Acesso aos Dispositivos Médicos, que ficou a cargo de Sofia de Oliveira Martins, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, e Hugo Pedrosa, da IQVIA.
O estudo, que teve uma taxa de participação de 52% dos hospitais do SNS, foi considerado por muitos como “a porta de entrada” sobre esta temática. Apresentou uma análise abrangente sobre as disparidades regionais e a eficiência no acesso a tecnologias médicas em Portugal, sublinhando a importância de uniformizar os cuidados para promover equidade entre os cidadãos.
De entre as principais conclusões destacam-se: 79% dos hospitais realizam o reprocessamento de DM’s de uso múltiplo, a maioria deles “In-House”; 37% dos hospitais possuem uma comissão dedicada à análise de alternativas aos DM’s existentes no mercado; 95% das instituições recorre à consignação de DM’s, principalmente por questões de disponibilidade financeira; a gestão de dados relacionada à utilização de DM’s em contexto de vida real é limitada, com apenas 17% dos hospitais a realizar essa prática (na área da Cardiologia), embora 11% já tenham publicado resultados; a perceção sobre as ruturas de DM’s em 2023 é significativa, com 70% das instituições a considerá-las graves ou relevantes; e, segundo os participantes do estudo, as principais barreiras no acesso aos DM’s são a carga administrativa e a falta de recursos humanos.
“Faço um balanço extremamente positivo deste estudo. Este índex nacional do dispositivo médico era algo que não existia. Estão cobertas quatro áreas terapêuticas: Cardiologia, Ortopedia, Oftalmologia e a Gastrenterologia. Julgo que se formos trabalhando e enriquecendo este índex, a evidência que é reproduzida pelo mesmo vai ser de extrema utilidade para todos os stakeholders do país, se bem que a intenção é que tenha uma primeira utilidade para os hospitais públicos”, revelou a presidente da APORMED.
Seguiu-se uma mesa-redonda, que contou com a participação de Antonieta Lucas, Cláudia Furtado, do INFARMED, Paula Costa, da Ordem dos Farmacêuticos, e Pedro Almeida, da ULS Médio Tejo. A discussão focou-se nos desafios que os profissionais de saúde enfrentam para garantir a acessibilidade de dispositivos médicos, assim como as formas de melhorar a integração dessas tecnologias no Serviço Nacional de Saúde.
Xavier Barreto afirmou que “a discussão foi muito interessante e, devido aos resultados do primeiro índex, temos a oportunidade discutir temas que para nós são muito importantes, entre eles o valor e o circuito do dispositivo médico”.
Na última sessão foram abordadas as estratégias de regulação e avaliação das tecnologias de saúde na Europa, com intervenções de Jaime Melancia, presidente da Direção da Plataforma Saúde em Diálogo, e de especialistas internacionais como Marco Marchetti, vice-presidente do Grupo para Avaliação de Tecnologias de Saúde, da União Europeia, Mariane Cossito, representante da Direção de Avaliação das Tecnologias de Saúde do INFARMED, e Petra Zoellner, Director Regulatory Affairs (IVDR & MDR) na MedTech Europe. A partilha de diferentes abordagens ao nível europeu destacou a importância de promover colaborações internacionais para garantir o acesso equitativo a inovações tecnológicas.
O evento terminou com o discurso de encerramento de Xavier Barreto, que destacou a necessidade de se continuar a apostar em iniciativas como o FITS para garantir que a inovação tecnológica tenha um impacto positivo e real na saúde pública em Portugal.
A APORMED congratula-se por ter feito parte e apoiar a 2.ª edição do Fórum de Inovação e Tecnologia em Saúde, uma iniciativa tão importante e promissora.




